História

História do IPO de Coimbra

O estudo médico e tratamento da doença oncológica em Portugal remontam ao princípio do século XX.

A 29 de Dezembro de 1923, por Decreto do Ministério da Instrução Pública era criado o Instituto Português para o Estudo do Cancro, então com sede provisória no Hospital Escolar de Santa Marta.

O poder político reconhecia assim o imperativo sanitário do estudo e tratamento do cancro mas também, o trabalho meritório que neste campo nomes consagrados da medicina portuguesa vinham a desenvolver. De entre os seus mais ilustres destacava-se o Prof. Doutor Francisco Gentil que vê concretizado um dos maiores sonhos da sua vida, quando a 29 de Dezembro de 1927, é inaugurado o primeiro pavilhão do I.P.O. – o primeiro Centro Regional da luta contra o cancro em Portugal.

Em Coimbra, três décadas depois, o Prof. Doutor Luís Raposo empenha-se na mesma causa defendendo a criação de um centro anticanceroso capaz de dar resposta à população do Centro do País, o que veio a acontecer em 1953 com a aquisição de uma pequena vivenda – o primeiro edifício sede do Centro de Coimbra do I.P.O.. Depois das obras de adaptação que se impunham, o Centro dá início à sua actividade em 1962 e, em 1977, autonomiza-se relativamente a Lisboa. Era o processo natural de emancipação de uma estrutura, cujo crescimento, tornara imprescindível.

Da pequena vivenda adquirida em 1953, até aos nossos dias, decorreu mais de meio século. Demolindo velhas estruturas e remodelando outras, modernizando equipamentos e espaços, a instituição não tem parado de crescer, fiel ao seu mais nobre compromisso – a excelência do bem cuidar o doente oncológico.

Ao longo do tempo sucederam-se também os profissionais que, empenhadamente, em Coimbra, tornaram possíveis os projectos de crescimento liderados pelos Directores, que, em diferentes períodos marcaram a evolução do IPO de Coimbra.

Anos mais tarde seria adquirida uma vivenda contígua, tornando possível, após demolição, expandir o edifício da cirurgia, acrescentando-lhe o actual internamento de ginecologia e a unidade de cuidados intermédios.
O edifício da radioterapia, desde sempre associado ao respectivo tratamento e que se confunde com o próprio início da actividade da instituição foi objecto, ao longo dos anos de várias obras de manutenção e restauro, acompanhadas por um desenvolvimento notável do seu “plateau” técnico.
Este esforço de adequação da estrutura às necessidades, vem a ganhar maior visibilidade nos últimos anos e é orientado, fundamentalmente, por três vertentes:

  • Expansão do “campus” hospitalar;
  • Crescimento da capacidade instalada;
  • Melhoria das condições de bem-estar e conforto.

Tomando por base 1990, 1995, 2001 e 2008 como anos de referência e os respectivos intervalos de tempo, a evolução denota aspectos muito positivos que se passam a destacar.

1990 – 1995

Procede-se à autonomização física das três vertentes de prestação de cuidados que constituem o Departamento de Oncologia Médica, através da:

  • Transferência do respectivo internamento para área situada em edifício devoluto, por inacabado (piso 3);
  • Concentração das consultas no mesmo edifício (piso 2 – ala esquerda);
  • Instalação de um novo Hospital de Dia localizado no mesmo edifício ( piso 2 – ala direita);
  •  Em 1993 é lançada a primeira pedra para a construção de um novo edifício destinado à centralização da maior parte das consultas externas;
  • Em Setembro de 1995 o edifício estava pronto a funcionar, pondo cobro à situação de grande precariedade em que funcionavam estas consultas, concentradas num pré-fabricado e em espaço saturado.

 

1996 – 2001

  • A construção de tipo pavilhonar da instituição, cedo impôs a necessidade de proceder à ligação dos edifícios, processo iniciado anos antes, mas só concluído em 1996. Estas ligações, nomeadamente as aéreas e subterrâneas, vieram permitir que a circulação dos doentes se passasse a processar sempre pelo interior dos edifícios, resguardando-os da imprevisibilidade das condições meteorológicas;
  • Em 1996 o Serviço de Radioterapia inicia os tratamentos de radiocirurgia constituindo-se o IPO de Coimbra um dos dois únicos centros do país a disponibilizar esta técnica;
  • Em 1997 começam a desenhar-se novos desafios para a instituição. Antigamente ocupado pelos gabinetes da administração, o piso 0 do edifício da Cirurgia entra em obras para dar lugar ao actual internamento de cabeça e pescoço e urologia.
  • Ainda em 1997, O IPO de Coimbra é contemplado com o 2.ª Prémio Nacional de Humanização e Qualidade dos Serviços de Saúde, que viria a premiar um conjunto de iniciativas que vão desde as amenidades, ao acolhimento e atendimento do doente, divulgação de material informativo, até à formação dos profissionais mais relacionada com a vertente comportamental.Cuidar do doente oncológico em ambiente humanizado, constituiu desde sempre um objectivo importante a prosseguir, sobejamente referido nos Planos de Acção e concretizado nos diversos projectos que a instituição tem vindo a levar a efeito;
  • A 20 de Maio de 1998 é inaugurada a nova unidade de internamento da cirurgia de cabeça e pescoço e urologia, com uma lotação de 30 camas;
  • Nesse mesmo ano, e no terreno deixado devoluto pela demolição do pré-fabricado do antigo ambulatório, iniciam-se as fundações para a construção de um novo edifício que, ao criar uma unidade de cuidados paliativos destinada a dar qualidade de vida aos doentes que esgotaram os tratamentos curativos possíveis, viria a completar a missão da instituição;
  • Em 1999 o Serviço de Cirurgia introduz a técnica “Biopsia excisional estereotáxica da mama com cânula site-select (ABBI);
  • Em Setembro de 2000 o IPOCFG, E.P.E. adere voluntariamente ao projecto de acreditação da instituição pelo King’s Fund Health Quality Service, por força do protocolo existente entre o Ministério da Saúde (Instituto da Qualidade em Saúde) e aquela entidade;
  • A 25 de Maio de 2001 é inaugurado o novo edifício que integra, para além da já referida Unidade de Cuidados Paliativos, uma estrutura hoteleira inserida em meio hospitalar, capaz de proporcionar o conforto de estrutura idêntica em contexto de mercado, áreas destinadas à Farmácia, Investigação e Registo Oncológico Regional, mais consentâneas com as exigências actuais;
  • Também as áreas industriais como a cozinha, rouparia e armazéns puderam ver melhoradas as respectivas instalações e responder, de um modo mais eficaz, às solicitações dos serviços utilizadores.

 

2002 – 2008

  • Em 2002 concluem-se as obras de adaptação do espaço que daria lugar ao Serviço de Medicina Nuclear, fundamental para o desenvolvimento estratégico da instituição. O serviço, que engloba as vertentes de diagnóstico, tratamento e internamento, traduz-se numa mais valia para os doentes do IPO de Coimbra que deixaram de ser referenciados para o exterior e passaram a contar com um atendimento mais célere;
  • Em finais de 2002 o Serviço inicia a sua actividade nas vertentes de diagnóstico e terapêutica e, em 2003, com a abertura do internamento, o serviço entra em pleno funcionamento;
  • Ainda em 2002, no âmbito da intervenção operacional da Saúde – Saúde XXI,o Serviço de Imagiologia procede à digitalização do arquivo radiológico – Sistema de Imagem Digital (PACS) e, nessa sequência, adquire-se o Sistema Digital de Mamografia em 2003;
  • A instituição vê aprovadas mais duas candidaturas apresentadas ao Gabinete de Gestão do Saúde XXI – Intervenção Operacional da Saúde, com vista à modernização do Departamento de Radioterapia.
    • Em 2004:
      • Para aquisição de equipamento e remodelação das áreas de tratamento;
    • Em 2006:
      • Para a remodelação do internamento.
  • Em 2004 o Serviço de Radioterapia inicia o tratamento de estadios iniciais de neoplasias da próstata através de técnicas intersticiais de braquiterapia com sementes radioactivas de Iodo – 125 (125I) em Junho de 2004. Desde então, esta modalidade terapêutica conheceu duas fases distintas: até Fevereiro de 2006 foi utilizado o método de pré-planeamento intra-operatório; desde Março de 2006 o método de planeamento é designado por tempo real.
  • Em Dezembro de 2005 a instituição é notificada da decisão do comité da acreditação do Health Quality Service (HQS) de que o IPOCFG, E.P.E. tinha atingido a acreditação total.
  • Em 2007 o Serviço de Radioterapia disponibiliza as técnicas de radiocirurgia e radioterapia estereotóxica fraccionada.
  •  Em 2007 é também aprovada a vacina contra o Papiloma Vírus humano (HPV), em cujos estudos o Serviço de Ginecologia participou.
  • Ainda em 2007 o Serviço de Imunohemoterapia obtém a certificação de qualidade, após auditoria conduzida pela Bureau Veritas Certification, declarando a conformidade do sistema de gestão do serviço com os requisitos da norma NP EN ISO 9001:2000.
  • Em 2008, o Serviço de Radioterapia, em colaboração com o Serviço de Imagiologia, experimentou consideráveis melhorias nos procedimentos a efectuar na braquiterapia ginecológica através da utilização da ressonância magnética disponível na instituição desde Abril de 2007.
  • Em 2008 0 Serviço de Radioterapia avançou com o tratamento de neoplasias do recto com braquiterapia e a actividade terapêutica na unidade de PDR instalada em 2007.